Produtores de Santa Maria de Jetibá sofrem com desvalorização de ovos

28/01/2019

Preço baixo do produto faz com que avicultores não consigam cobrir custos de produção

O baixo preço da dúzia de ovos, que não está cobrindo o custo de produção, e a dificuldade dos produtores descartarem as aves quando chegam perto do fim do ciclo de produção estão fazendo com que o município que é o maior produtor de ovos do país, Santa Maria de Jetibá, enfrente uma crise de desvalorização de uma das suas principais fontes de renda.

Santa Maria de Jetibá é responsável por 91% da produção de ovos do Espírito Santo, o que representa pouco mais de 340 milhões de dúzias, das 374 milhões de dúzias produzidas em todo o Estado. Além disso, das 19 milhões de galinhas criadas pelos condôminos avícolas capixabas, 17 milhões estão em Santa Maria de Jetibá, segundo o IBGE.

Segundo o vice-presidente da Coopeavi, Denilson Potratz, o excesso de produção e o fato de que muitas aves já deveriam ter sido mandadas para o abatedouro, somado ao consumo de ovos que caiu, agravaram o quadro. Ao todo a cooperativa tem 92 famílias de avicultores cooperados que juntas produzem uma média de 1,05 milhão de ovos por dia. De acordo com Potratz, a orientação que a Coopeavi tem dado é descartar as aves mais antigas e manter as novas. Além disso, os produtores devem segurar a compra de mais aves.

Nesse contexto de excesso de frangas nas granjas, os avicultores estão esbarrando com outro problema: o número de frigoríficos para abate de aves é pequeno, três no Estado, para a demanda cada dia maior. Para driblar a situação, os criadores recorreram a abatedouros de outros estados, como São Paulo e Bahia, porém eles também estão trabalhando acima da capacidade e não conseguem receber mais aves. Segundo Nélio Hand, diretor-executivo da Associação dos Avicultores do Espírito Santo (Aves), em função dessa dificuldade, um grupo de produtores está se organizando para montar um frigorífico para atender a demanda local de abate de galinhas.

Já o secretário de Agricultura do município, Egnaldo Andreatta, explica que em períodos normais, cada franga era vendida aos abatedouros por valores entre R$ 1 e R$ 1,20, agora, o preço gira em torno dos R$ 0,20 a R$ 0,30. “Temos casos de avicultores que queriam dar essas aves para os abatedouros, mas nem assim conseguiam se desfazer das galinhas. Para eles permanecerem com essas frangas nos criadouros é prejuízo.” O avicultor Mário Kuster é um dos muitos que estão vendo os problemas aumentarem. Ele tem 150 mil aves na sua propriedade.
Em média, ele tem vendido a caixa de ovos, com 30 dúzias, a R$ 50. Porém, o custo de produção está bem acima desse valor, entre R$ 60 e R$ 65 por caixa. Mário acreditava que em dezembro o preço iria melhorar, o que não aconteceu. Mesmo assim, procurou se prevenir. Adiantou o descarte das galinhas, fazendo um em novembro e outro em dezembro. “Para vender 25 mil galinhas levei umas três semanas até pegarem todas. É uma dificuldade. Outros não conseguiram fazer isso e quem conseguiu foi só para o final de fevereiro”, conta. (Com informações do Jornal do Campo/TV Gazeta)

Fonte: Gazeta Online